Sepé, seu povo e sua luta
Em 7 de fevereiro de 1756 morria Sepé Tiaraju, o primeiro condutor de homens, o primeiro líder, o primeiro caudilho desta terra.
Diante dessa triste data, reproduzo o que escrevi há quatro anos atrás.
Newton Fabrício
“Sepé, seu povo e sua luta
Quando Sepé Tiaraju cavalgava, altaneiro, no seu potro, pelos pagos da Província de São Pedro, o povo guarani vivia livre nas coxilhas missioneiras.
E as índias eram respeitadas.
Porque Sepé nunca deixou um correntino tocar nas mulheres dos Sete Povos das Missões.
Passaram 250 anos.
É de tocar a alma lembrar que aquele índio que peleava montado em um potro, sem estribo, deixou filhas que hoje são chinas em cabarés da Fronteira, correndo de mão em mão.
E que as suas filhas que não caíram na vida criam, com dificuldades, pequenos indiozinhos, que pedem esmolas nas esquinas, ou vendem cestos ao longo das estradas.
É de tocar a alma pensar que os filhos de Sepé vagueiam pelos rincões do Rio Grande, à busca de changas em troca de um prato de comida.
É de tocar a alma ver que o povo guarani é obrigado a viver em Reservas Indígenas, quando um dia foi o único dono do pampa do Rio Grande.
E pensar que aquele povo bravo e livre viu Sepé gritar, pra dois Impérios:
- Esta terra tem dono!
Penso em tudo isso quando vejo, estampada nos jornais, a notícia de que, nos 250 anos da morte de Sepé, tiveram de cercar de grades o seu monumento pra impedir que os vândalos o depredassem.
É uma barbaridade - e fizeram isso justamente na Capital Missioneira, minha terra.
Mas ao olhar pra triste foto de Sepé atrás das grades, vejo que o verdadeiro motivo foi outro.
Prenderam Sepé de medo que o Tiaraju voltasse a pelear por seu povo.
Newton Fabrício”
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