Gauderiadas missioneiras
“ – Missioneiro, por quê tu não desiste, vivente?
- Porque acredito na Justiça”.
Gauderiadas missioneiras
Tive gauderiando uns dias pelos pagos da minha terra.
Lá donde “lagarto não tem pestana e sorro é sem sobrancelha”.
Enchi a alma com acordes de violão, nas noites invernosas das coxilhas missioneiras.
Pesquei na costa do Velho Uruguai, sob a luz da lua.
Chimarreei, solito no más, olhando pra primeira estrela da manhã, a pensar na vida, nos sonhos, nos ideais.
Me banhei nas águas do Velho rio, que rebrilhava os raios do sol, no dia que amanhecia.
Montei no tordilho negro e, no alto da más alta coxilha dos pagos do Rio Grande, olhei a imensidão do pampa, até o horizonte sem fim.
E, empinando o tordilho negro que, de peito erguido, bufava pelas ventas, gritei pra vastidão do pampa: a luta continua.
Porque acredito na Justiça.
Missioneiro
Obs: do livro “Causos, fandangos e domas de potros”, a ser publicado.